- Início da carreira + envolvimento com a bateria
Sempre soube que um dia seria músico. Talvez mais que isso.
Desde criança gostava de ver na TV videoclipes das bandas e ficava balbuceando com um “inglês” que eu mesmo inventava, as letras das músicas que eu ouvia.
No fundo eu sentia que este envolvimento com a arte falaria mais alto, só não sabia como e com que tipo de arte seria.
Comecei então a estudar violino no Conservatório de Artes de Brasília, ligado à Escola de Música da UnB. Estudei por três anos, sendo um ano de curso teórico, um ano de solfejo, onde conheci instrumentos como flauta doce e transversal e depois o violino.
Minha carreira como músico erudito terminou neste ano, quando tive contato com o violão e desde então um novo universo se abriu para mim. Este era o instrumento que faria uma conexão com toda a parte ritmica, com a qual me envolveria em um futuro bem próximo.
Assim, vindo de uma descendência de músicos, aos poucos fui me descobrindo até que a curiosidade pela música se transformasse em uma grande paixão, percebida por todos, quando participava de diversos grupos infantis e corais na escola e na igreja, onde já me destacava entre todos pela facilidade aprender a tocar vários instrumentos simultaneamente.
Gostava muito de cantar e de acordo com os regentes dos corais que participei, tinha uma percepção musical e trabalhava com a divisão de vozes que era incomum às crianças da minha idade, mas meu maior destaque era a criatividade rítmica, que no futuro seria fundamental na escolha de meu instrumento definitivo – a bateria.
O envolvimento com a bateria aconteceu após um acontecimento que se tornaria um marco em minha vida: Ainda em Brasília, morava no mesmo prédio onde também funcionava o estúdio de ensaios de uma banda de grande projeção na época e da curiosidade dos músicos desta banda sobre aquele menino que durante muito tempo viram carregar seu estojo de violino, nasceu uma amizade, que foi a porta aberta para que eu começasse a freqüentar os ensaios da banda. O fascínio pela bateria era inegável e logo comecei a aprender os primeiros ritmos, passados pelo baterista da banda através de cópias de antigas partituras e de seus momentos de estudo, que fazia máxima questão de acompanhar. Assim, graças ao conhecimento teórico adquirido durante o estudo da música erudita, tudo se tornou mais fácil.
Em 1984, me mudei para Goiânia onde comecei a tocar nas equipes de música da igreja e em 1986 surgiu o dilema que seria o divisor de águas em minha carreira musical: Que instrumento seria definitivo em minha vida?
- Um de meus tios, baixista na equipe de música da igreja, me incentivava a estudar bateria. Minha tia , regente de coral e minha a mãe, apaixonada por música, me incentivavam a estudar violão (instrumento que nunca abanonei).
Mas a insistência do meu tio baixista, irmão caçula da minha mãe falou mais alto: Nos tornamos a “cozinha” mais requisitada entre as equipes de música da igreja e com isso, participamos de várias equipes de louvor da igreja, o que me motivou a aperfeiçoar meu aprendizado. Foi quando me matriculei no Stúdio – Centro de Música, ligado ao Clube do Choro, onde tive a oportunidade de estudar ritmos brasileiros e latinos, além de aperfeiçoar minha leitura musical, agora totalmente direcionada à bateria.
- Trajetória no cenário gospel
Com o passar do tempo, participando de várias equipes de música ligadas à igreja, senti a necessidade de ir em busca de maiores oportunidades meio musical. Com isso, em 1991 formei com outros dois amigos a banda gospel “Matéria Prima”, com quem gravei seis discos durante os oito anos de existência da banda. Na trajetória da “Matéria Prima”, pude construir bons relacionamentos e tive excelentes referências que me permitiram participar de inúmeros trabalhos no mesmo segmento, acompanhando vários artistas de renome nacional e internacional como Grupo MILAD, Quarteto VIDA, Expresso Luz, Carlinhos Veiga, Alda Célia, Kléber Lucas, Ministério Comunidade Cristã, Asaph Borba, Brother Simeon, Nádia Santolli, Orquestra Cristã de Brasília.
O envolvimento com estes artistas me trouxe a feliz oportunidade de gravar vários discos e a participar de turnês por praticamente todos os estados brasileiros, alguns países da América do Sul e também em viagens aos Estados Unidos da América do Norte.
- Aperfeiçoamento no aprendizado e cursos de extensão musical
Nunca me considerei e ainda hoje não me considero um bom músico. Mesmo sendo reconhecido no cenário da música cristã como multi-instrumentista e cantor, senti a necessidade de ir mais além em minha trajetória musical e comecei a trabalhar compondo e gravando trilhas sonoras, jingles e spots publicitários.
Nesta época, cheguei a participar de algumas campanhas publicitárias premiadas com o título “Profissionais do Ano” da Rede Globo, além de outros prêmios da publicidade local.
Tudo isso me deixava muito feliz e orgulhoso, por fazer da minha arte, também meu meio de sustento. Por isso, decidi investir em adquirir mais conhecimentos. Foi quando tive a oportunidade de participar de algumas edições do “Curso Internacional de Verão” promovido pela Escola de Música de Brasília, onde tive a felicidade de ter contato com músicos como Zé Eduardo Nazário, Kiko Freitas, Alex Acuña, dentre outros.
Com o conhecimento didático adquirido e a paixão pelo instrumento ainda maior, me senti motivado a começar a lecionar bateria e teoria musical em algumas escolas de música de Goiânia, onde em uma delas, aceitei o desafio de trabalhar com alunos portadores de necessidades especiais. Tive a oportunidade de trabalhar com métodos que envolviam psicomotricidade e inicialização musical, visando a inclusão social destes alunos através de oportunidades de destaque e reconhecimento de seus talentos musicais em espaços que transcendessem as paredes da escola.
Toda a carga emocional e bagagem técnica adquiridos durante este período me motivaram a trabalhar como voluntário em atividades ligadas ao projeto “Amigos da Escola”, onde fiz workshops e oficinas de música para crianças e pré-adolescentes em escolas da rede pública de ensino.
- Passagem por gravadoras
Em 1997, formei com um amigo da época dos primeiros grupos musicais da igreja, a banda pop “Laia Vunje”, que devido ao sucesso de seus singles de rádio, foi contratada pela Abril Music. Foram sem dúvida grandes momentos de minha carreira, quando a música “Sexta-Feira” foi tema da novela “Tiro e Queda” da Rede Record e seu videoclipe incluído na programação de canais como MTV e Multishow.
Com a Laia Vunje pude novamente viajar por todo o Brasil, chegando a abrir shows de bandas como Titãs, Pato Fu e Gabriel, o Pensador. Na Laia Vunje, tive a oportunidade de trabalhar ao lado de Fernando Palau, então tecladista da banda de Reggae “Natiruts”, com quem criei fortes laços de amizade e com quem assinei a co-produção de vários outros projetos em estúdio.
No final de 1999, meu tempo com a “Laia” chegaria ao fim, mas não a amizade com o Fernando Palau, ao lado de quem continuei gravando e produzindo vários trabalhos. Foi justamente nesta época, transitando entre corredores dos estúdios de gravação que frequentávamos que conhecemos os irmãos Max e Regis Bennett e recebemos o convite para formar o “EX4 - Exatamente qu4tro”.
- O EX4 - Sua carreira e seus projetos
Dos 12 anos de carreira do “EX4 - Exatamente qu4tro” , estou na banda há 9 anos.
Participei de três dos cinco álbuns lançados e pude novamente experimentar o que é fazer parte de uma banda com uma gravadora. Foi assim durante a rápida passagem da banda por grandes gravadoras como Sony Music, SEVEN/Universal Music e passagens por programas de TV como “Caldeirão do Huck” e “Mais Você” da Rede Globo, “Raul Gil”, “Prá Você” além de vários outros programas em emissoras ligadas ao segmento musical em todo o Brasil.
Felizmente conseguimos maner uma média anual de aproximadamente 100 shows realizados e tivemos a felicidade te ter um de nossos videoclipes como o que mais tempo permaneceu entre os 5 mais vistos no site da MTV, recebendo comentários e uma matéria colocando a banda como uma das maiores revelações do MTV Overdrive em 2008.
Ainda em 2008, devido à experiência obtida com o projeto “Amigos da Escola”, onde atuei como voluntário, tive a felicidade de formatar um projeto que até hoje leva música e conscientização social às escolas de São Paulo, o “EX4 nas Escolas”, onde os integrantes da banda levaram mensagens de bem viver, responsabilidade e conscientização social, defendendo a educação musical nas escolas como forma de resgate da cidadania. Hoje, no quarto ano de execução deste projeto e já tendo recebido por dois anos consecutivos o “Certificado de Mérito Cultural” expedido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e um Certificado de Honra ao Mérito da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o “EX4 - Exatamente qu4tro” continua disseminando a idéia da educação musical como forma de inclusão social e o incentivo à criação de ações ligadas à música dentro do ambiente escolar como uma forma de manter a criança e o adolescente longe das ruas, ocupando seu tempo livre em atividades ligadas à arte.
Neste projeto, o “EX4 - Exatamente qu4tro” conta com o apoio e envolvimento direto das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, da Polícia Militar do Estado de São Paulo e também de empresas que apóiam e patrocinam direta ou indiretamente este projeto.
- A indústria nacional – Envolvimento com as marcas, endorsements, etc.
Mesmo antes de me mudar para São Paulo com o EX4, fui convidado a participar de alguns testes de produtos da Orion Cymbals, que depois de alguns anos me convidou a fazer parte de seu casting de endorsees. Isso me abriu várias portas e hoje tenho o prazer de atuar como consultor técnico das Baquetas ALBA, Caixas de Acrílico HUTCH, Trixom (Caixas de bateria customizadas), além de ser endorsee das peles EVANS e das baterias PDP byDW – Sendo estas duas últimas, marcas internacionais.
Mesmo o assunto se referindo à indústria nacional, acredito valer muito a pena mencionar todas as marcas com as quais tenho envolvimento, pelo fato de ter conquistado a credibilidade de cada uma delas para não só usar e divulgar suas marcas, mas principalmente por saber que minha opinião, como músico brasileiro, tem peso na hora da formação de conceito e direcionamento de mercado destas marcas para o Brasil. Sou apaixonado pelo conceito moral e da visão artística de cada uma das marcas que uso e tenho a felicidade de saber que minha opinião contribui para o crescimento e valorização da música e da arte acima de tudo. Isso vai muito além de qualquer conceito de mercado. Saber que cada um dos produtos que uso é parte da história de cada uma dessas empresas que tem em seus conceitos o sonho e a paixão pela arte, torna cada show, ensaio ou até mesmo os momentos de manutenção do meu equipamento, um momento único!
- DW Days Brasil
Como fã da história, trajetória e do talento do grande baterista Chester Thompson (Frank Zappa, Genesis, Phil Collins, Ron Kenoly), fiquei em êxtase ao saber da realização do evento de aniversário dos 40 anos da DW. Como já tinha uma parceria com a importadora, me ofereci para trabalhar coo tradutor no evento, com a condição de poder passar pelo menos alguns minutos ao lado do meu ídolo. Consegui – Mais além ainda! – Com a greve nos consulados brasileiros no mundo todo, um dos participantes do evento teve problemas na entrega de seu passaporte e sua vinda para o Brasil tornou-se inviável. Como o formato do evento era sempre com três bateristas, fui convidado para ser um dos três, recebendo este “presente” como uma dádiva de Deus e novamente, como a realização de um sonho. Para quem sonhava apenas em ser um dos intérpretes do evento para ter a chance de passar alguns momentos com o ídolo, eu havia conseguido chegar onde nenhum outro baterista brasileiro chegou! Olhar para o lado e ver o “baterista do Phil Collins” rindo e curtindo o meu som, não teve preço. Por esta e por tantas outras, posso me considerar um homem feliz.
- O futuro da música e projeções para a carreira
Através dos projetos que atuo diretamente com a minha banda, tenho a chance de ver como a música se torna uma poderosa ferramenta de socialização e resgate da cidadania e este tem se tornado o alicerce da minha carreira.
Tudo faz mais sentido: O estudo musical, o ensinamento cristão, a convivência com o cenário artístico em diversos momentos, os projetos e a reação do público quando associamos a arte à verdade. Com ações como esta, vejo que há uma esperança, uma nova alvorada no cenário musical do futuro. A realização de sonhos deve ser o objetivo maior de cada um entre os que amam e acreditam na arte e no talento. Com isso, o mercado e o cenário musical se renovarão e o futuro da música no Brasil estará em boas mãos.